
O sertão amanheceu mais silencioso. Em Serrinha, na região Agreste do Rio Grande do Norte, despediu-se Antônio Clementino de Lima, o eterno Antônio Vaqueiro, morador da Fazenda Jacumirim dos Limas. Nascido em 18 de maio de 1953, sob o signo de Touro — forte, firme e teimoso como a terra que o criou —, Antônio viveu 72 anos de bravura e sabedoria, guiando o gado e a vida com o mesmo compasso do aboio.
Sete décadas de resistência, de passos firmes na caatinga, de olhos que sabiam ler o céu e o chão. Antônio aboiou o gado, sentiu o peso da seca, chorou com a perda dos animais e sorriu com cada inverno que florescia esperança. Era conhecido e aplaudido, símbolo da força do homem do campo, exemplo de quem fez da simplicidade sua grandeza.
Hoje, o aboio se cala, mas a memória de Antônio Vaqueiro ecoa nas fazendas, nos currais e nas lembranças de quem o ouviu cantar o sertão. O vaqueiro partiu — mas sua voz, misturada ao vento e à saudade, seguirá chamando o gado e os corações.
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