Brejinho, no Agreste do Rio Grande do Norte, tem na cadeia da mandioca o coração da sua economia. O município foi oficialmente reconhecido pela Assembleia Legislativa como a “Terra da Farinha do RN”, em lei sancionada em 2021 — um título que consolida a relevância cultural e econômica da produção local de farinha de mandioca.
Com população de 12.202 habitantes no Censo 2022 (estimada em 12.638 para 2025) e área de 61,56 km², Brejinho integra a mesorregião do Agreste Potiguar. O perfil demográfico e econômico, segundo o IBGE, confirma um município de pequeno porte cujo dinamismo tem forte ancoragem no agro e nos serviços ligados à vida urbana regional.
A principal atividade econômica é a produção de farinha de mandioca, sustentada por inúmeras casas de farinha — traço marcante do Agreste. Em um raio de 50 quilômetros que inclui Brejinho e cidades vizinhas, existem cerca de 300 casas de farinha, evidenciando a densidade do arranjo produtivo local. Na prática, isso significa trabalho e renda para agricultores familiares, além do abastecimento de mercados regionais com um produto reconhecido pelo sabor e pela qualidade.
Nos últimos anos, o poder público vem reforçando essa vocação. Em 2023, foi inaugurada, à margem da RN-314, uma praça de comercialização com quiosques e réplica de uma casa de farinha — espaço pensado para exposição e venda de produtos da agricultura familiar e do artesanato, fortalecendo a circulação de renda no município. A iniciativa, resultado de parceria entre Governo do Estado e Prefeitura, busca dar mais visibilidade e escoamento à produção local.
A mandioca segue, portanto, como eixo estruturante do desenvolvimento brejinhense: da roça às casas de farinha, dos derivados (bolos, sequilhos, “grude”) às prateleiras de feiras e mercados. Ao mesmo tempo, diagnósticos do Sebrae para o segmento de mandioca no Nordeste indicam oportunidades de ganho de valor — da qualificação sanitária e de embalagens à melhor gestão de resíduos e aproveitamento de subprodutos — caminhos que Brejinho já começa a trilhar com a organização dos produtores e a melhoria da infraestrutura local.
Reconhecida pelo Estado, valorizada pelos consumidores e apoiada por políticas públicas de fortalecimento da agricultura familiar, a “farinha de Brejinho” segue como marca identitária e motor econômico — e coloca o município no mapa nordestino da boa mesa e do empreendedorismo rural.
Fontes: IBGE; Assembleia Legislativa do RN; Agora RN; Sebrae.